06fev/12

Sensualizando everywhere – Corporate edition

Post por às 10:04

Vou contar uma historinha, assim, em partes. Era uma vez uma Isadorinha recém chegada na faculdade. História na Usp, sacomé, as expectativas não eram muito grande. Tanto que a reação que meu pai teve quando eu disse que tinha conseguido um estágio – na área, não em uma lanchonete ou coisa parecida – foi uma enorme gargalhada. Mas, para a infelicidade dele, que me veria ganhando meu próprio (pouco) dinheirinho e saindo de casa sem dar satisfação, era verdade. Eu, 17 anos, saída de São Bernardo, sem nunca ter entrado num ônibus antes, tinha um estágio.

Umas das coisas mais maçantes que já fiz na vida, relacionada com acervos, documentos e muita, muita poeira. Ainda assim, o meu trabalho. E, bom, imagem a importância que uma pessoa de 17 anos dá pro seu primeiro emprego. Foi quando me deparei com o meu primeiro problema: eu não tinha roupas. Não naquela neura feminina de “eu não tenho roupa” tepeêmica, mas na real situação de “eu só usava uniforme escolar até agora”. Meu armário se restringia a calças de tactel, tênis de corrida e camisetas. Nada adequado para o meu primeiro emprego.

Nada adequado, na realidade, à minha vida de universitária, mas isso é assunto para outra hora. O caso é que, de início, a Isadorinha de 17 anos, no segundo dia do primeiro estágio da sua vida, tinha uma reunião com a alta cúpula do marketing da maior empresa de varejo do país. E não pegaria muito bem ir de calça de tactel. Pedi ao mesmo pai perplexo com o fato de que eu tinha alguma responsabilidade àquela altura que me levasse para comprar, ao menos, uma calça jeans e uma blusa mais ajeitadinha. Relutante em não poder entrar na Handbook, sai do shopping satisfeita e cheia de mim.

Exceto pelo fato de que havia esquecido de comprar sapatos. Minha mãe, um pouco mais sensata e talvez mais conformada que, sim, a filha dela poderia ter um emprego – ainda que meia-boca – resolveu me emprestar um par de botas. Bonitas, pretas, numa camurça bem cuidada. Um tanto quanto cafona, é claro, mas eu usava calças de tactel, lembrem-se. E lá fui eu, linda, loira, de calças novas e botas velhas, para a minha primeira reunião de trabalho da vida.

No meio do caminho, resolvemos almoçar. Na rua mesmo, num restaurante aconchegante e não muito distante do prédio em que aconteceria a reunião. No caminho de volta, com uma boa meia hora estratégica de folga antes do encontro, comecei a sentir algo pegajoso na sola da bota, grudando o sapato no chão. É claro que eu tinha pisado num chiclete. Afinal de contas, quem, além de mim, pisaria num chiclete minutos antes de uma reunião de trabalho importante, a primeira da sua vida, do seu primeiro estágio?

Só que não era um chiclete.

A coisa pegajosa era a sola da bota, de borracha, que tinha se desprendido completamente do resto do sapato e estava pendurada por um fiozinho de cola. A cada passo, a sola enroscava no chão, e batia na planta do meu pé como que pra lembrar: te fodi. A bota da minha mãe. Na minha primeira reunião de trabalho da vida. Do meu primeiro emprego da vida.

Num lampejo de “talvez Deus não me odeie tanto e seja só uma pegadinha”, me lembrei: estamos no centro da cidade. O que não falta aqui são lojas de sapatos! O mico foi grande, é claro, mas tudo pode ser resolvido facilmente, é só eu pedir licença, dar uma risada meio constrangida pra chefe, mas aparentando estar tudo bem, pois eu sou ótima com situações inusitadas, criativa e pró-ativa, entrar na loja e escolher um par novo de botas. Pago, visto e vou embora, linda e loira novamente.

Eu já falei que esse era meu primeiro emprego?

Pois, caro amigo, era. O que significa que eu não tinha um salário até então. O que quer dizer que eu tinha R$ 15 na carteira, para o almoço. Nenhum cartão de crédito. Nenhuma moeda a mais. Mais nada. O lampejo de alegria e sagacidade durou míseros 5 segundos na minha cabeça, suficientes para que a chefe notasse que algo estava errado. É claro que estava. Sem saída, decidi usar uma das minhas características secundárias menos embaraçosas e, com sorte, ganhar a empatia da criatura. Não ganhei. Mas ela me emprestou dinheiro pra comprar um par de sapatilhas novas.

fina e elegante no primeiro dia de trabalho

No meu primeiro emprego. Na minha primeira reunião importante da vida. Mas, isso não acabou…

23 Comentários para "Sensualizando everywhere – Corporate edition". Adicione o seu »

  1. Larie

    06 fevereiro 2012

    Caraaamba, Isa! Hauhauahuah É muito ‘azar’ para uma pessoa só, a sola de uma bota velha se desprender logo no primeiro dia de trabalho? Inédito. ahuahah
    Pelo menos deu uma boa história, ri bastante.

    Beijos! ^^

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  2. Suzi

    07 fevereiro 2012

    História engraçada.

    Estou seguindo xD
    Suzi

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  3. Rúvila

    07 fevereiro 2012

    RIII MUITO iSA!!
    Mas ri porque esse negócio da sola descolada aconteceu comigo! Tomei chuva com meu adidas num dia e no outro aconteceu isso NA ESCOLA. Como também não tinha dinheiro comprei um tubo de cola, enchi a sola dela e esperei secar, deu pra chegar em casa hahah

    beeeijos ;)

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  4. Letícia

    07 fevereiro 2012

    Menina, botas de sola de borracha que ficam guardadas por um tempo são uma das maiores ciladas da vida. Acontece nas melhores famílias. ;)

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  5. Ana Luísa

    07 fevereiro 2012

    Lady Murphy sempre aprontando, Jesus! Mas esses momentos são engraçadíssimos depois que viram história né?
    Beijos!

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  6. Juliana

    07 fevereiro 2012

    hahahah, que dóooooooooo!
    Mas faz quanto tempo isso?

    E menina, como vc conseguia viver a vida apenas com calça de tactel e tênis??????????
    hahahaha

    beijocas

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  7. nati

    08 fevereiro 2012

    adorei o drama ^^
    primeiro emprego é emocionante mesmo né? a gente quer fazer de tudo pra manter a boa aparencia e mostrar que, apesar de jovens, somos competentes
    é muita pressão, rs

    beijo!

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  8. Cacá

    09 fevereiro 2012

    Putz, que azarão! Hehehe Tenho uma história parecida: na primeira semana do meu primeiro estágio, num escritório de advocacia onde o trabalho era MUITO corrido e a galera funcionava a base de café, quebrei a única cafeteira. Hahahaha genial. Mas é tudo experiência, tudo experiência (not). Fico no aguardo do resto da tua história. Bjo!

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  9. Luh Pinheiro

    09 fevereiro 2012

    Isa, eu só fico imaginando se
    1) todos vivemos essas histórias bizarras, mas só você sabe aproveitá-las em texto
    2) só acontece com você.
    O lado bom é que a gente pode se divertir com esses posts! hihihi.
    A minha sorte é que meu primeiro estágio foi no jornalismo mesmo e eu só tinha que me vestir mais decentemente quando ia entrevistar um pesquisador/professor da ufsc. E eu usava meu tênis guerreiro mesmo (mas isso era porque eu morava numa ladeira que escorregava e eu nem tinha bota ainda nessa época).
    No mais, eu fiquei com medo do seu stalker.

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  10. Dea

    09 fevereiro 2012

    Mais uma vez me identificando com suas estórias.

    Aconteceu comigo quando eu era moleca. 4ª série, ensaio final da quadrilha. A roda se fechou e quando abriu lá estava a sola do meu tênis no meio. Fiz a desentendida e alguém gritou “ei de quem é aquela sola?” Todos riram e eu disfarcei, mantendo os dois pés na mesma altura. Sai de fininho e nunca descobriram que era meu, eu acho.
    Fora outras tantas vezes que quebrei o salto (quando ainda podia usar) no meio da rua e um grupo de velhinhas fazendo tricô no terraço de uma casa decidiram praticar bullying em mim. Ah, a vida!

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  11. Antônio LaCarne

    09 fevereiro 2012

    engraçado é que as vezes, quando as coisas querer dar errado, tudo conspira a favor. se fosse comigo acho que teria me desesperado, mas você agiu da melhor maneira, não se deixou abalar. acho interessantíssimas essas histórias onde revivemos situações chatas ou legais, mas que servem de aprendizado.

    grande abraço querida, sempre uma maravilha aparecer por aqui. ;)

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  12. isabella

    09 fevereiro 2012

    genial, dorita! tô morrendo de rir aqui… sei nem como escrevi esse comentário… o original era pra ser HAHAHAHAHAHSDJFSEFQOIAHQOIJOQ, mas já postei demais desses por aqui! hahahaha!

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  13. Mayra

    10 fevereiro 2012

    Parece a Anne Hathaway indo pro primeiro dia de trabalho na revista em “O Diabo veste praga” hehehe Que situação, hein!
    Estou passando pela mesma coisa com roupas, mas graças a Deus consegui um empréstimo da minha mãe pra comprar umas coisas usáveis e agora só falta achar o primeiro emprego! Tomara que meu sapato não descole! HAHAHAHAH
    Amei a história!
    Beijos!

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  14. Jade Amorim

    14 fevereiro 2012

    Meu deus! Garota, que coisa mais impossível! Posso dizer que morri de rir? Não por maldade, mas é que isso também aconteceria comigo facinho! Kkk

    beijos.

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  15. Mia

    14 fevereiro 2012

    E eu pensando que só eu tinha histórias como essas. haha É bom ler alguma situação cômica e inusitada no blog de outro alguém pra variar.
    Mas isso acontece com as melhores pessoas (ou não). uhum. ^^
    Bjo.

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  16. Flá Costa*

    14 fevereiro 2012

    Hahaha, Isa do céu, quem merece??!!?
    Tem dia que parece que tudo dá errado né? Incrível. Dizem que é a gente que atrai. Será?

    Detalhe: eu também amava a handbook! rs.

    Beijos

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  17. Fernanda

    17 fevereiro 2012

    Nossa, li seu texto e me imaginei nessa situação embaraçosa até o final! É o tipo de história que você vai ter que contar pros filhos quando eles resolverem sair de casa sem um real no bolso HAUEAHUEAHEAUAHEU
    Acho que o segredo deve ser pensar positivo. Minha mãe sempre fala que esperar pelo pior sempre atrai as coisas ruins (vai saber…)

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  18. Nina Vieira

    18 fevereiro 2012

    Engraçado: eu não fico “tão pasma” com a sua história porque você é a Rainha Oficial dos Deslizes da Vida – e é por isso que a gente te amam tanto. mas você se formou em História? Eu não sabia, ou não tinha percebido, juro. Também quero fazer História. Muito. Embora, por ora, esteja mais inclinada à museologia.
    Abraços!

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  19. Jessica Carvalho

    18 fevereiro 2012

    Nossa, é muita falta de sorte para uma pessoa só! Ri muito com a sua situação ai. Acho que eu me desesperaria em seu lugar!

    Rs!

    =*

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  20. Camilla

    24 fevereiro 2012

    Haha dooooooooooorei /

    Demora mto a continuação? :(

    Bjos

    Responder
  21. deborah

    25 fevereiro 2012

    Ahhh… Preciso saber o resto da históriaaaa!!!

    Pelo menos você não teve que usar mais o sapato feio.

    Isso aconteceu comigo uma vez. Peguei uma bota de uma prima que ela estava dando embora e o salto quebrou. Enquanto eu estava andando. Se tem uma coisa que sempre dá merda é sapato emprestado ou novo.

    Responder
  22. Mia

    26 fevereiro 2012

    Isa, tem um selinho pra você lá no meu blog. Olha lá: http://maluquetedotopete.blogspot.com/2012/02/10-things-about-me.html

    Bjo!

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  23. Carol

    28 fevereiro 2012

    O bom é que eu fiquei imaginando a cena.

    Ri um pouco, tá bem?

    =)))

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