02out/11

Music Monday #12: especial shows*

Post por às 09:28

*especialmente postado no domingo em homenagem ao fim do Rock In Rio

Já faz algum tempo que Judas Priest e Whitesnake se juntaram novamente. Depois de 6 anos, no mesmo local, na mesma data, minha banda favorita e a maior banda de heavy metal de todos os tempos resolveram começar de maneira fantástica uma nova fase da minha vida. Consegui ver meu-amor-eterno David Coverdale de pertinho, muito de pertinho, com toda sua sensualidade e voz intacta. E foi lindo.

Rob Halford e trupe, por sua vez, mostraram do que o heavy metal é feito: British Steel. Homossexual assumido, o Deus do Metal fez milhares de marmanjos amontoados uns em cima dos outros chorarem de emoção ao verem o autor de uma das trilhas sonoras mais pesadas dos últimos anos. Um grande “chupa” ao preconceito – ao gays, e aos metaleiros com fama de maus. Com direito a casaco de paetês, motoca invocada e chicotinho na mão.

O Rock in Rio, controvérsias claudialeittísticas à parte, me deu uma grande alegria no domingo passado, relembrando um dos melhores shows da minha vida: Metallica. A única banda que fez que minha paixão surgisse ali, no meio do Morumbi, entre músicas completamente desconhecidas pra mim. Fiquei encantada com aquela banda, e desde então, descobri que era amor. Com um show exatamente igual ao de São Paulo há um ano, o Metallica no Rio de Janeiro despertou ainda mais meu tesão por shows.

Mas, tem gente pior que eu. Enquanto eu facilmente faria empréstimos financeiros para pagar meus ingressos, tem gente que vive pra isso. Não trabalha, não estuda, não toma banho, e vive de shows. Não somente das bandas e da música, mas do acontecimento show, do evento show. E, meu caros, os shows de rock são fantásticos pra isso, pois permitem que você fiquei livre, leve e solto com apenas um pouco de constrangimento.

Aproveitando o momento musical do país, a minha ansiedade constante pelo próximo show e o fato de que agora todo mundo ama muito rock’n'roll, identifico os principais tipos nos shows de rock:

1. O Liam Gallagher: pra ele, nada está bom. O show não foi comprido o suficiente, alto o suficiente, com pirotecnias suficientes. A guitarra estava baixa, o vocalista desafinado, a iluminação deixou a desejar. A fila estava muito grande, a bebida muito cara, o chão muito duro, o tempo muito ameno, o dia muito lindo, a vida muito boa. A melhor formação da banda é aquela de 65, o vocalista já não é mais o mesmo, o guitarrista não se compara ao da outra banda, a banda de abertura foi horrorosa, a…

2. O James Hetfield: ainda que lindo, ele não se lembra de nada. Começou a tomar cerveja três dias antes do show, pra fazer um esquenta, e ainda não parou. Tem sempre um copo na mão, e a outra esbarrando em alguém para manter o equilíbrio. Não sabe o que está acontecendo no palco nem ao seu redor e, por isso, provoca brigas: deita na namorada alheia, abraça o cara, beija o pai do moleque ao lado. Mas nunca entra na briga porque está “de boa”.

3. O Ozzy Osbourne: não é exclusivo dos shows de rock, mas se prolifera neles. São seres acéfalos que frequentam locais onde encontram outros seres acéfalos, para travar comunicação em língua própria, constituída por três expressões diferentes – “Foda!”, “Muito louco!” ou “Caralhooooô!”. Balançam a cabeça lentamente enquanto andam, na maioria das vezes com o queixo retraído e o olhar voltado para cima. Têm como representante da raça o próprio Príncipe das Trevas.

4. O Jim Morrison: o tipo que menos incomoda, o Jim Morrison dos shows de rock se basta. Ele se curte, dança sozinho, rebola sozinho e, não dificilmente, procria sozinho. O evento se dá em uma espécie de transe, especialmente quando a banda começa a cantar a balada. Quanto mais pesada a banda e mais romântica a balada, maior o transe – e a autotransa. Ergue as mãos, arranca a camisa, e balança os longos cabelos para lá e para cá, sem se preocupar com quem está ao lado. Não canta: balbucia algumas das frases da música em descompasso, pois “faz sentido pra ele assim”.

5. O André Matos: um dia, alguém elogiou a sua potência vocal e criou um monstro. O André Matos gosta de expor toda a sua habilidade como cantor em qualquer momento: do chá de bebê ao show do Judas Priest. Tudo é motivo para que ele comece a tamborilar com os dedos e cantarolar baixinho, até o momento em que sua voz de Ariel não se restringe mais aos seus pensamentos, e todos têm que ouvi-lo cantar. Não interessa se você está ali porque pagou quatrocentos reais pra ouvir o David Coverdale: ele vai cantar mais alto. E no tom errado. E vai gritar. E vai inventar variações da música.

6. O Dee Snider: em dias normais, o Dee Snider é Anderson dos Santos, analista de sistemas. Anderson trabalha de camisa pólo e sapatênis. Porém, no show do Aerosmith, ele assume a sua identidade secreta e se transforma em uma diva performática. Lady Gaga é Roberto Carlos perto dele. Legging de paetês, calças jeans infantis e regatas cavadas fazem parte do seu figurino padrão, potencializado por coturnos e botas de plataforma. Ele também usa maquiagem e anda como se portasse esporras no pé. E, mais importante: desfia o cabelo inteiro.

7. O Jon Bon Jovi: esse tipo de pessoa presente em shows de rock paga quatrocentos reais com um único objetivo: pegar mulher. Ele sabe que 1) a quantidade de mulher concentrada por metro quadrado é alta e 2) a maioria ali é fake e não tem coragem de pegar um metaleiro, então investe. A calça é apertada na medida para ressaltar seu glúteo trabalhado, a camisa é justa o suficiente para mostrar o peitoral malhado e a manga deixa a vista um pedaço da tatuagem. Seu perfume é Ives Saint Laurent, e ele faz FAAP, mas não se dá bem nas baladas tradicionais. Mas, aqui, todas querem um Bon Jovi.

8. A Cristiane Torloni: a gata tem dinheiro, provavelmente já pegou o Jon Bon Jovi e só usa wet legging porque é tendência. Comprou pista VIP porque “quer ficar na grade”, mas tem nojinho de encostar naquele bando de metaleiro sujo. Fica de ladinho esperando tocar a balada, filma tudo com o iPhone e depois posta no Facebook que estava “arrasando no show ontem à noite”. Frequenta os locais alternativos da Augusta pra ter uma desculpa para usar batom roxo, e declara que é do roquenrou molti anni fa, mas tem a frase do Pequeno Príncipe tatuada na nuca, que eu sei.

9. O Steve Harris: andam invariavelmente em bando, com camisetas do Iron Maiden e cabelos compridos presos em rabos de cavalo, divididos ao meio. Compartilham algumas expressões do vocabulário Ozzyosbournístico, mas com um léxico que inclui nomes de personagens históricos, objetos de torturas e profissões do século XV em inglês. Não conhecem nada antes ou depois da banda, mas tudo é uma bosta. E o melhor disco vai ser sempre o Powerslave.

10. A Cher: namorada do Dee Snider, ela é recepcionista de consultório de dentista e usa a alça do sutiã de silicone pra fora da blusa. Em dia de shows, passa no primeiro sexshop vagabundo que encontra e compra um corpete. Quanto mais apertado, mais seus peitos ficarão de fora, então melhor. Compartilha o uso da bota de plataforma do namorado, acompanhada de meia arrastão e saia de couro – não importa o calor que esteja fazendo. Ela fuma da maneira mais sexy que encontra, balança o cabelo, agarra a bunda do namorado com as unhas vermelhas e gigantes. É básica na maquiagem: lápis preto até na boca. E nunca sorri, porque não é sensual.

E aí, lembrou de mais algum?

13 Comentários para "Music Monday #12: especial shows*". Adicione o seu »

  1. Rhaíssa Sizenando da Silva

    02 outubro 2011

    AMEI Isa! HAHAHA Os principais tipos nos shows de ROCK arrasaram! :P É exatamente assim, e a Cristiane Torloni podemos ver em VÁRIOS locais! hahahaha Amei amei! Beijos

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  2. Fernanda

    02 outubro 2011

    Isa, esse é um dos textos mais legais que eu já vi aqui! E de longee uma das coisas mais legais, interessantes e relevantes que eu li nesses dias de Rock in Rio! Descobri que aparentemente eu atraio os “André Matos”, em todo show uma pessoa dessas brota do meu lado. Adorei todas as definições, mas acho que rolam mais em show de rock mesmo, né? Lembrei de vários tipos que encontro nos shows de pop que eu vou, super me deu vontade de fazer um post no mesmo estilo! hahaha #plágioanunciado
    Parabéns amiga, adorei mesmo :)

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    • Isadora

      11 outubro 2011

      Ai Fê, MUITO obrigada! :)
      Eu me diverti muito escrevendo esse texto, mas parece que a galera não gostou tanto? Vai entender! Hahaha!
      Sinta-se à vontade pra plagiar, você pode! :P

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  3. Ana Luísa

    02 outubro 2011

    Hahaha, arrasou, Isa! Eu não sou rockeira, e muito menos consigo fingir que sou. Ficaria com uma super cara mau-humorada em um show de rock, e é por isso que defendo o POP Rio, e teria ido na sexta-feira, com Katy Perry e Rihanna. E teria morrido de tédio no pedaço do Elton John, ahhaa.
    Me diverti com suas divisões. Eu em um show canto horrores, embolo a letra em alguns pedaços e não to nem aí, fico amarrando o cabelo com ele mesmo, porque nunca lembro de levar um elástico. Obviamente ele escorrega, e eu tenho que prender de novo, num looping eterno. Enquanto isso eu tento pular na música mais animada, e sempre me lasco, pisando no pé de alguém, que fica bem mau-humorado… HAHAHAH.

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  4. Thay

    03 outubro 2011

    Adorei sua descrição dos tipos! E o pior que é exatamente assim, tem de tudo e mais um pouco em shows. Você ter incluído a Cristiane Torloni só prova que ela virou quase um símbolo desse Rock in Rio, haha, acho que ela estava muito doida durante aquela entrevista, “hoje é dia de rock, bebê”. E, sabe, não me importaria de esbarrar com um tipo Jon Bon Jovi, haha. Beijo!

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  5. Rúvila Magalhães

    03 outubro 2011

    Também tem sempre o pai assustado que está lá só pra não deixar o filho ir sozinho…

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  6. Barbara Amorim

    04 outubro 2011

    hahahahaha, adorei esse post! Sensacional!
    Suas descrições foram perfeitas, e concordo absolutamente com a Fernanda “Isa, esse é um dos textos mais legais que eu já vi aqui! E de longee uma das coisas mais legais, interessantes e relevantes que eu li nesses dias de Rock in Rio!”
    Seu blog é ótimo!
    Beijos.

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  7. Lunna

    04 outubro 2011

    Curti a lista dos tipos de rock. Embora não concorde com a definição dada para o Jon Bon Jovi. kkkkkkkkkkkkkkkkkkk – acho ele um cara muito familiar. Aquele que vive na dele com as mãos no bolso, muito aprecia e nada emplaca. É feito formiga, onde tem uma, tem várias, mas ele sempre saí pelos cantos e vai de encontro a rainha…
    Eu curto rock, mas ando meio apavorada com as coisas que surgem por aí nos dias de hoje. O rock não morreu, mas entrou em côma e só não acenderam as elas ainda porque está na moda ser retrô e os bambas estão voltando. hehehehehehe

    bacio

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  8. Ulli Uldiery

    04 outubro 2011

    kkkkkkkkkkkkk, curti demais esse texto. Nunca fui em um show só de rock, no máximo na mistura pop e rock dos festivais de inverno aqui da minha cidade no interior da Bahia, mas nada a nível internacional, infelizmente. :X
    Não sou rockeira e me sentiria completamente deslocada em um show da Metálica ou das outras bandas que tocaram no terceiro dia, mas queria muito ter visto o Red Hot, Coldplay, Guns, Maroon 5…!
    Enfim…apesar de nunca ter ido em grandes shows, já me deparei com muitos desses modelos, e hipocresia à parte, quem nunca se viu assim em tal situação? hahaha
    E concordo com o comentário da Rúvila Magalhães, faltou o pai ou mãe que está completamente assustado com tudo e só fica pensando: “Ela nuuuuunca mais vai em um show…” kkkkk
    Adorei seu blog! Um beijo!

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    • Isadora

      11 outubro 2011

      Muito obrigada, Ulli!
      E se tiver a oportunidade, vá sim a um show: de rock ou qualquer outro estilo. A energia é muito bacana, você vai gostar!

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  9. Anna

    06 outubro 2011

    Ri muito do post, Isa, tua ideia foi muito boa!
    Apesar de todos os tipos que você citou serem bem irritantes (muito bom a comparação com alguns famosos), o que mais me aborrece é o Liam Gallagher. Sempre me dá vontade de perguntar pra esses que só reclamam: Você faz melhor? Sobe no palco e mostra o que sabe fazer, bonzão. Ou então só mesmo chegar e pergunta: Filho, quem te trouxe? Tá fazendo o que aqui? Vai ser escroto em casa!
    hahaha
    Um dia vi um show do lado de duas Cristiane Torlonis: pensa em duas meninas de saia bandage, salto altíssimo, hiper maquiadas, brincão, colar, roupa de balada phyna, NA GRADE de um show. Reflita. Eu tava muito incomodada com elas ali no gargarejo cheias de não me toques e com cara de ai não me encosta que meu salto quebra. Pensei que elas estavam ali só marcando presença, fazendo pose e tal, mas aí, depois do show, eu e meus amigos groupies fomos atrás da banda no hotel, e quem encontramos lá, tirando foto (e casquinha) com o vocalista? As meninas.
    Não entendi até agora qual era a delas. Mesmo.
    Beijocas, Isa

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    • Isadora

      11 outubro 2011

      Annoca, o post que você conta essa aventura é um dos mais legais do seu blog, e eu fiquei realmente com inveja do seu dia de groupie. Meu SONHO é encontrar com uma banda que eu ame na porta do hotel!

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  10. Garota no hall

    30 outubro 2011

    Tem o blasé também, que só fica na dele, ali no canto, com uma longneck de cerveja na mão, observando o público, vendo o show e balbuciando uma ou outra letra de música. Ele seria um Julian Casablancas.

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